Após ataque hacker sofrido pela Embraer na semana passada, onde a empresa até então não sabia da extensão dos danos, foram divulgados na internet vários arquivos atribuídos à fabricante de avião em São José dos Campos. Os dados foram divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo

Segundo a reportagem desta terça-feira há relações com nomes e telefones de funcionários, orçamentos, correspondências com detalhes da venda de aviões militares do modelo A-29 Super Tucano e até informações prosaicas, como a lista dos que pagaram R$ 37,92 para participar do “churras dos parças”.

Os documentos foram vazados na chamada deep web, uma parte da internet que fica oculta, não indexada em sites de busca, como o do Google.

Em 30 de novembro, a Embraer divulgou ao mercado que fora alvo de um ataque cibernético, no dia 25 daquele mês, e ele teria resultado na divulgação de dados “supostamente atribuídos à companhia”.

O vazamento foi provocado por um grupo que faz ataques do tipo ransomware, uma espécie de sequestro digital, em que se exige pagamento para a liberação de sistemas ou para evitar o vazamento dos dados. A empresa não teria pago a quantia solicitada, por isso os dados foram publicados.

No comunicado, a empresa detalha que o ataque “indisponibilizou o acesso a apenas um único ambiente de arquivos da companhia”, em outras palavras, os hackers teriam encontrado, sequestrado e bloqueado o acesso àqueles dados.

São quatro grandes pastas com mais de 200 documentos. A pasta com o título “Pessoas” traz várias tabelas em Excel com dados de funcionários, como nome, CPF, telefone e data de aniversário (dia e mês de nascimento).

A Folha pesquisou a relação na rede social profissional LinkedIn e identificou que várias delas apresentam a Embraer em seus currículos.

O vazamento desse tipo de dado pode ser acessado por terceiros e comercializado ilegalmente na internet. Criminosos também podem usá-los como engenharia social, para extorquir as pessoas ou chantageá-las.

Em uma das pastas há 22 PDFs detalhando o “Nigeria Program”. Outra pasta traz, por exemolo, subcontratos de cadeia de suprimentos e uma chamada “Alinhamento BARCO”. Há também fotos com imagens do interior de uma cabine de avião.

O “programa Nigéria” é um acordo comercial com o país africano envolvendo a venda do A-29 Super Tucano.

O site da empresa informa que o A-29 Super Tucano já foi selecionados por 15 forças aéreas no todo mundo. A FAB (Força Aérea Brasileira) utiliza o modelo, que é o seu principal caça de ataque leve.

Há troca de cartas em inglês com fornecedores ligados ao avião militar e regulamentos exigindo confidencialidade entre diferentes empresas.

Fonte: https://www.ovale.com.br/_conteudo/nossa_regiao/2020/12/118503-hackers-vazam-contrato-sobre-super-tucano-e-ate-suposto-churrasco-de-funcionarios-da-embraer.html