Ano após ano o crescimento do mercado de TI é notícia. Até abril de 2021, segundo um levantamento da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), as empresas que atuam no ramocontrataram 69 mil colaboradores no Brasil (em 2020 foram 59 mil contratações).

Um dos setores de destaque é o de cibersegurança. Em meio ao aumento nas oportunidades de trabalho, o estudo ressalta que o número de mulheres no mercado de tecnologia da informação também cresceu, inclusive ocupando mais cargos de liderança.

Este cenário pode ser observado na procura por capacitação. De acordo com um levantamento da HackerSec, empresa que atua com capacitação em cibersegurança, o número de mulheres que buscam cursos de cibersegurança triplicou nos últimos três anos.

“Atualmente, temos cerca de 28% de alunas, contra os 5% matriculadas respectivamente em 2019 e 2020. A estimativa para esse ano é de alcançarmos mais de 35% de inscrições do público feminino”, destaca Andrew Martinez, CEO da HackerSec.

Outro estudo do Cybersecurity Workforce Research revela que a mão de obra feminina já responde por uma fatia de 24% de toda a comunidade de TI, mais que o dobro do registrado em 2017, ano em que o percentual era de apenas 11%. Também há um movimento cada vez mais forte de igualdade nas condições de trabalho.

Para Martinez, embora o cenário ainda não seja igualitário, é possível “visualizar uma corrida para nivelar a disparidade de gênero no segmento”. “Observamos que as profissionais de cibersegurança são, em geral, mais dedicadas do que os homens e possuem mais chances de alcançarem posições de liderança”, ressalta o executivo.

No entanto, segundo o CEO, alguns problemas estruturais precisam ser debatidos urgentemente. “Aproximadamente, 51% das mulheres na segurança cibernética já enfrentaram alguma forma de discriminação, ou assédio. Além disso, relatam dificuldade para entrar no mercado de trabalho e ainda lutam pela equidade de salário.”

“Mulheres interessadas em capacitação não é o suficiente para mudar este cenário. É essencial que o mercado olhe para essa disparidade e, consequentemente, desenvolva estratégias para acelerar a igualdade de gênero no setor”, conclui o executivo.