Beatriz Mirelle
Especial para o Diário

24/04/2022 | 00:01

Os crimes virtuais estão cada vez mais comuns e os usuários buscam alternativas para se proteger. De acordo com levantamento da Serasa Experian, no Brasil, ocorre uma tentativa de fraude a cada sete segundos. No último ano, houve o maior registro de ocorrências, com mais de 4 milhões de casos e alta de 16,8% em comparação a 2020. Dentre esses ataques cibernéticos, destaca-se a invasão nas redes sociais, quando o proprietário perde acesso e os hackers usam o perfil roubado para ‘vender’ produtos que não existem – como geladeiras, relógios e celulares – e aplicar golpes nos amigos do dono da conta.

A jornalista Andressa Besseler, moradora do bairro Fundação, em São Caetano, recebeu, em fevereiro, uma mensagem inbox no Instagram informando que havia sido selecionada para conhecer uma pousada em Camaçari, na Bahia. “Fiquei tão empolgada que nem desconfiei. Conversei com a pessoa, perguntei o nome dela e como funcionaria. Ela me disse que enviaria um SMS e era só entrar no link. Quando cliquei, redirecionava para o meu Instagram. Na hora, percebi que era um golpe.” Os invasores mudaram o endereço de e-mail, senha e telefone logados para que ela não conseguisse recuperar a conta. “A primeira pessoa que liguei para avisar foi uma amiga que mora no Interior do Estado. A gente costuma se chamar de ‘mulher’ e o hacker enviou uma mensagem para ela dizendo: ‘Oi, mulher, tudo bem?’ imitando a forma como nos tratamos. Ainda bem que ela já estava ciente.” Desde então, mesmo fazendo boletim de ocorrência, Andressa não tem mais acesso ao antigo perfil.

A vice-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Santo André, Aline Romanholli, entrou com ação judicial contra o Facebook, dono do Instagram, depois que teve o perfil hackeado em janeiro. “Eles estavam sob pena de R$ 1.000 diários até restabelecer o meu acesso. Se a pena fosse aplicada friamente, seria uma multa de R$ 20 mil porque eles demoraram 20 dias. Nesses casos, o juiz tem o poder de dosar e fixar um valor que ele considere justo. Ficou estipulado um pagamento total de R$ 3.000.” Até o momento, o processo ainda não foi concluído.

Aline afirma que depois que recuperou a conta percebeu que tinha mais de 60 mensagens no Instagram de pessoas que conversaram com os hackers e perceberam as diferenças na linguagem e tratamento deles em comparação aos da advogada. “Depois que acontece uma vez, você percebe o quão exposto está”. Ela aconselha a evitar clicar no link e conferir o destinatário quando for realizar um depósito. “O ataque cibernético está acontecendo em uma velocidade que nem as próprias redes estão sabendo lidar. Desconfie se o produto estiver muito barato. Verifique quem é o beneficiário do boleto ou da chave pix”, aconselha.

Em novembro de 2021, o mesmo caso aconteceu com Hércules Mateus, morador do Baeta Neves, em São Bernardo. “Recebi um link por SMS e cliquei acidentalmente. Os hackers acessaram minha conta na mesma hora e não perdi o acesso. Fui à Polícia Civil fazer um boletim de ocorrência. Quando soube que as empresas de prestação de serviço on-line que não oferecem suporte nesses casos estão sujeitas a processo, contatei um advogado”, afirma.

O jovem, com quase 11 mil seguidores, relata que soube de um amigo que depositou R$ 1.000 para os invasores acreditando que os produtos divulgados eram verdadeiros. “A causa foi ganha sob a indenização de R$ 5.000 no total, que ainda não foi paga. O Facebook alega que devolveu a conta, mas não consigo acessá-la. Minha página nem está mais ativa”, afirma.

COMO SE PROTEGER

Para a professora Samáris Ramiro Pereira, doutora em segurança da informação e docente nos cursos de computação da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), a inocência é o maior erro na internet. “As pessoas não pensam que, quando publicam algo, isso está aberto para várias pessoas e para sempre”, afirma. De acordo com a especialista, uma forma de evitar a exposição de privacidade é manter as contas separadas. “Se você for hackeado em uma, não influenciará outros aplicativos. O ideal é não vincular as redes. Ter e-mails diferentes também é algo útil”.

No caso das senhas, o melhor é formular uma que não seja tão fácil de ser identificada. “Não coloque o nome do seu namorado ou do seu cachorro, nem data de aniversário. Isso são coisas muito evidentes. Uma boa é escolher uma música, selecionar um trecho e colocar as inicias de cada palavra. É algo diferente e não é difícil de lembrar”, sugere.

Outra maneira de diminuir as chances de invasão é pela opção de ‘autenticação de dois fatores’ nas configurações de segurança das redes sociais. O recurso faz com que haja uma segunda verificação para confirmar a identidade de quem está acessando. O usuário pode escolher por receber um código de login por e-mail, SMS, entre outras opções que buscam garantir a privacidade do perfil.